Reúso de Água: As Flores que Nascem do Esgoto e a Economia na Ponta do Lápis

Reúso de Água: As Flores que Nascem do Esgoto e a Economia na Ponta do Lápis

Fonte de reprodução: Pixabay

A batalha para aprovar o tratamento terciário e, consequentemente, o sistema de reúso de água, foi dura. Muita gente achava um luxo desnecessário. Hoje, quando olham para o verde dos nossos jardins em pleno período de estiagem, ninguém mais reclama. Pelo contrário.

 

Os Canos Roxos da Consciência

 

Lembro do dia em que instalaram a tubulação específica para a água de reúso. Por norma, ela é roxa, para não ser confundida com a de água potável. Meus filhos ficaram fascinados. “Mãe, por que o cano é roxo?”. Eu expliquei que era para todo mundo saber que ali passava uma água especial, uma água que já tinha sido usada, foi limpa, e agora ia trabalhar de novo, regando as plantas. Eles acharam o máximo. O erro que cometíamos era pensar no esgoto como “fim”. O desafio foi entender que ele podia ser um “recomeço”. A instalação foi rápida, e logo a caixa d’água específica para o reúso estava cheia.

 

A Prova Viva da Sustentabilidade

 

A dica é: o reúso de água é a prova mais tangível de que o seu sistema de tratamento funciona. É a materialização do conceito de economia circular. No primeiro mês em que usamos a água de reúso para toda a jardinagem do condomínio, nossa conta de água potável veio com uma redução que fez até o vizinho mais cético sorrir. Mas para mim, o pagamento real vem de outra forma. Vem quando eu caminho pelo condomínio no fim da tarde, o ar com cheiro de grama molhada, e vejo os beija-flores nas lavandas que margeiam o playground. Tudo aquilo, todo aquele verde, toda aquela vida, está sendo nutrida por uma água que nós mesmos salvamos. E essa sensação é indescritível.