Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO): A Sigla que se Tornou o “Detector de Mentiras” da Nossa ETE

Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO): A Sigla que se Tornou o “Detector de Mentiras” da Nossa ETE

Fonte de reprodução: Pixabay

Advogados vivem de provas. Alegações sem provas são só… fofoca. No mundo do saneamento, descobri que a prova mais cabal para saber se um tratamento de esgoto funciona ou não atende por uma sigla de três letras: Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO).

 

Decifrando o Laudo do Laboratório

 

No início, o laudo da análise de água parecia grego para mim. Uma lista de nomes e números. Meu erro era olhar só a conclusão: “próprio” ou “impróprio”. O desafio foi mergulhar naquela tabela. Pedi ajuda ao biólogo do condomínio, que, pacientemente, me explicou. A Demanda Bioquímica de Oxigênio, ou DBO, mede, de forma simples, a quantidade de oxigênio que as bactérias vão precisar para consumir a matéria orgânica na água. “Pense nela, doutora, como o tamanho do ‘apetite’ da sujeira. DBO alta, muita sujeira. DBO baixa, água limpa”. Aquilo foi uma revelação! A DBO virou meu “detector de mentiras”.

 

A Prova Incontestável do Sucesso (ou do Fracasso)

 

A dica que eu dou para qualquer síndico ou proprietário é: exija nos contratos de manutenção a apresentação periódica do laudo com a DBO de entrada e de saída. É a prova dos nove. Lembro da tensão ao abrir o primeiro laudo depois da ETE nova em operação. Meus olhos correram pela página, ignoraram todo o resto e foram direto na linha “DBO”. O valor de saída era baixíssimo. Senti um alívio que percorreu meu corpo inteiro. Era a prova documental, irrefutável, de que nosso investimento tinha valido a pena. Mostrei o papel para o meu marido, triunfante. Ele sorriu. “Parabéns, doutora. Caso encerrado”.